sexta-feira, 1 de março de 2013

Nova vida - capítulo 1 - parte 2


-Amo-te Rita, prometo que nunca te vou deixar e que não me vou esquecer de ti por mais dias que passem!
- Desculpa ter de partir, eu… - Tapou-me a boca.
- Não digas mais nada, por favor… Promete só que não me deixas…
- Prometo meu amor, não te vou deixar. Amo-te imenso, és tudo para mim e não te vou conseguir esquecer nunca! Nem a morte nos consegue separar. – estávamos os dois a chorar imenso.
- E eu a ti princesa, amo-te imenso! – Sorriu por entre as lágrimas.
- Prometo que te venho ver…
- E eu vou a Lisboa sempre que puder minha querida. Assim que tiveres tudo controlado por lá, eu vou visitar-te.
- Obrigada por tudo Diogo, a sério, és o meu anjo da guarda e apareceste num momento em que precisava mesmo de ti. Vamos falar todos os dias, todinhos!
- Claro minha princesinha, isso não pode falhar. Vamos falando por skype e telemóvel.
A Carolina também se estava a despedir do namorado que, apesar de namorarem a pouco tempo, ela gosta imenso dele. O problema é que ele é um cabrão de primeira e, agora, está todo comovido com de nós nos irmos embora mas enquanto vamos para casa descansar, ele vai para os bares ter com as “outras”.
Custa-me que ela vá comigo para Lisboa e que deixe aqui tudo o que tinha apenas para me ir ajudar e apoiar. Ela vai deixar toda a sua vida para trás por mim e isso é a maior prova de amizade que me poderia dar.
Depois de nos despedirmos de toda a gente fomos para casa e, como já é normal, dormimos as duas no mesmo quarto porque para a Carolina esta é a casa dela, diz que não sabe explicar porquê de sentir isso mas que se sente melhor do que na sua própria casa. Nós somos incrivelmente parecidas e a Carolina é verdadeiramente parecida com os meus pais, uma bela coincidência, e só a pouco tempo é que percebi isso. Ultimamente tenho reparado bastante nas pessoas, especialmente as que me são mais próximas. Não sei se é uma fase ou se fará parte da minha personalidade o resto da minha vida.
A Carolina não nasceu na aldeia, mudou-me para cá quando tinha cerca de 3 meses de vida. Na verdade, ela é de cá mas nasceu fora e viveu lá aqueles meses também. No inicio, a população duvidou que a Amélia era a mãe dela porque, segundo ouvi dizer, nunca ninguém lhe notou a barriga apesar de ela não ser propriamente elegante. Também segundo se conta, ela saiu da aldeia com cerca de 5meses de gravidez e quando voltou já trazia a Carolina nos braços.
Sempre me lembro de ter a Carolina do meu lado , todas as memórias de infância que tenho, ela está lá. No fundo, a culpa da nossa amizade ser assim, é dos nossos pais e os meus pais são como os pais das duas. Na volta ainda somos irmãs…
Estávamos ambas deitadas sem conseguir dormir, talvez pelos nervos, e em silêncio mas a Carolina decidiu quebrá-lo e dizer no que estava a pensar.
- Achas que vamos conseguir descobrir alguma coisa?
-Este mistério já me atormenta a demasiado tempo , espero mesmo que consiga descobrir.
- Está me a custar ir embora daqui…
- Também a mim, não sabes o quanto… Esta aldeia é a minha vida.
- Temos cá tudo… Mas não vamos desistir pois não?
- Claro que não! Vamos descobrir a verdade! – Fiz uma pausa. – Obrigada por tudo melhor amiga, obrigada por ires comigo…
- Não te iria deixar sozinha – Sorriu.
- És uma fofa! Vamos descansar?
- Sim, amanhã vais ser um longo dia. Vamos fazer uma grande viagem.
Esta noite pareceu-nos passar num instante e talvez até tenha passado porque adormecemos bastante tarde e acordamos super cedo.
A imagem que nós as duas transmitimos a dormir era tão amorosa que é impossível ser tirada da cabeça, segundo dizem os nossos pais. Dormimos como duas irmãs ou até como duas irmãs gémeas dormiriam, abraçadas e de mão dada, na mesma cama. Um cenário que deixa transparecer tanto carinho, amor, amizade  e familiaridade que emociona todos os que podem ver.

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